Diagnóstico no campo social
- Bruna Santos
- 19 de jul. de 2024
- 4 min de leitura
Conceito Geral
Ao recorrermos à etimologia do termo para definir a sua origem e melhor significado, a palavra grega diagnostikós é formada pelo prefixo dia, que significa “através” e gnosis, referente à “conhecimento”, “apto para conhecer”. Sendo assim, trata-se de um ‘conhecer através’, de um ‘conhecer por meio de’”.
“Diagnóstico” é um termo amplamente utilizado na medicina para determinar uma situação de saúde ou doença através do relato de sintomas sentidos por pacientes com apoio ou não de aparatos tecnológicos.
Ao abordar “diagnóstico”, foco deste paper, de forma resumida, no campo social, ele pode ser visto como um meio de reconhecimento das questões sociais e/ou potencialidades vividas por uma população em determinado território. O diagnóstico é um documento que reúne, de forma sistematizada, um conjunto de dados e informações pertinentes à realidade de grupos, organizações, povos e comunidades, dinâmico a temporalidade dos mesmos.
Por exemplo, o guia prático do Diagnóstico Rural Participativo (DRP) publicado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário traça o passo-a-passo para aplicação em comunidades das zonas rurais do país. O DRP tem como ponto de partida as condições e necessidades dos participantes. A ideia é que os participantes iniciem um processo de auto-reflexão sobre as esferas da vida, os direitos fundamentais e as possibilidades de melhoria na qualidade de vida comunitária.
Segundo a metodologia pensada pelo MDA, a forma em que os dados são coletados tem por objetivo principal permitir que as pessoas da comunidade pensem sistematicamente em seus problemas, nas possíveis soluções, e os compartilhem com os mediadores do DRP. Em segundo, que os mediadores compreendam as condições e circunstâncias locais e finalmente, procurem analisar os problemas e as possíveis opções para o enfrentamento..
A elaboração do diagnóstico deverá ser sobretudo um processo de pesquisa, que inclui as perspectivas dos grupos, que poderá ser representado por membros daquela comunidade ou população de interesse. Isso impulsiona uma mudança nos papéis tradicionais do pesquisador e dos pesquisados, já que ambos participam da determinação de quais e como coletar os dados, pois é um processo de dupla via.
Os Diagnósticos podem ser caminhos de aprofundamento analítico para mudança social, no campo ou nas cidades, ou nas organizações produtivas de base comunitária. Ele nos permite visualizar um cenário como num retrato, quanto mais próxima da realidade retratada ele estiver sendo feito, mais efetiva será sua contribuição para uma mudança de realidade desejável.
Princípios
A depender dos objetivos e da escolha do tipo de diagnóstico, bem como sua ênfase, o proponente pode recorrer a uma série de técnicas e conhecimentos complementares. Porém, se tratando de grupos/organizações sociais, povos e comunidades tradicionais, todos devem ser construídos a partir de princípios, a saber:
Respeita a sabedoria e a cultura do grupo
Deve-se respeitar o conhecimento cultural intrínseco nos modos de viver das comunidades, rurais ou urbanas, bem como nos modos de fazer de uma organização social. Considerar o fator cultural é fundamental para se traçar caminhos possíveis à sustentabilidade do uso dos recursos naturais, bem como à viabilidade da continuidade entre a relação humana com a natureza.
A identidade territorial, ou seja, aquilo que é único, a história do lugar, de um povo, valores, normas, visões, conhecimentos ancestrais e costumes, produz vias endógenas de desenvolvimento no território x.
Integra as diferentes percepções
Cada sujeito, assim como cada cultura, vê a realidade de uma forma, portanto única e subjetiva. Os membros das comunidades, os agentes de campo e os pesquisadores muitas vezes vêem e interpretam o mundo em que vivem de diferentes maneiras. Aprender com as diferentes percepções e interpretações é uma característica-chave do diagnóstico, especialmente para aqueles que são os agentes externos de campo.
Por meio de um processo de comunicação não violento e aberto à aprendizagem, podem ser notadas as diferentes percepções, a tal ponto que os agentes podem integrar as diferenças como parte do valor daquilo que se quer saber para agir coletivamente.
Consulta e Consentimento
Para coleta de dados e informações, a consulta deve ser livre, prévia e consentida segundo a Convenção Nº 169 OIT de 1989. A consulta e a participação são princípios que devem ser debatidos desde a primeira etapa de elaboração do diagnóstico, sabendo que também são os meios pelos quais os povos e comunidades podem participar das decisões que os afetam.
Etapas
Uma metodologia “participativa” é aquela que estabelece os espaços de interação e fornece os insumos a participação ativa em todas as etapas de elaboração do diagnóstico.
O início da pesquisa deve descrever os principais objetivos, a justificativa, a relevância histórica e a intenção de legado para os grupos sociais. De forma concomitante, o design das etapas, das atividades e a gestão do tempo, está sendo proposto pelos iniciadores.

Sobre a equipe, existe uma necessidade de constante alinhamento para fazer girar a roda segundo o esquema acima, no tempo das referências mais frescas. Nas etapas 3 e 4, a equipe poderá, inclusive, se desdobrar em Grupos de Trabalho, agregando novos membros, a depender das especificidades dos campos de estudo.
A partir da demanda de elaboração de um diagnóstico, novos diagnósticos, sobre outros, diversos, temas, poderão ser desenvolvidos pelos grupos formados. Idealmente que seja voluntário, emergindo dos interesses da própria comunidade ou território.


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